EM "LEÕES AZUIS CONTEMPLANDO O HORIZONTE",

uma família de leões azuis ocupa o espaço da tela com imponência e serenidade. A escolha pela tonalidade azulada retira os animais de um registro naturalista e os insere em um campo simbólico, no qual força, coragem e vitalidade se entrelaçam à ideia de contemplação do insondável e do silêncio interior, evocando a experiência humana do confronto com o desconhecido e submissão ao que é absoluto. Essa obra metafórica traduz a necessidade que todo individuo carrega em seu cerne: assumir nosso espaço no mundo com coragem, nobreza e distinção, revelando a realeza da alma, ao mesmo tempo em que reconhecemos que todo gesto de afirmação se dá diante de uma imensidão que nos ultrapassa. Essa tensão se reflete na paleta, que transita de cores frias e melancólicas a matizes mais quentes e luminosos, como se a cena se deslocasse da sombra para a claridade, como um animal saindo da cova, ou um ser humano saindo da tenda. Os leões ocupam seu espaço no mundo com naturalidade, livre dos medos e dos cativeiros mentais - revelando a coragem de assumir nossa verdadeira natureza, saindo da sombra e se entregando ao sol, explorando novos horizontes e novos papéis, equilibrando simplicidade e brilhantismo. Dessa rendição nasce o impulso de assumir todos os nossos dons solares com integridade, aceitando o chamado de distinguir-se, cumprindo nosso papel no mundo com um senso de identidade fortalecido, lúcido, real, corajoso e vulnerável - integrando a nobreza do espírito. Para a artista, a pintura retrata este limiar: entre rendição e bravura, temor e confiança - onde compreendemos que existe a necessidade de cumprir nossos papeis sociais e também o de agradar a nossa alma. Neste intervalo entre o frio da incerteza e o impulso de avançar constatamos que não possuímos o controle, pois quando nos rendemos ao fluxo natural da vida somos carregados pela promessa. O resultado é uma obra que articula firmeza e vulnerabilidade, temor a Deus, e a humildade que precede a grandeza. Mais do que um retrato animal, trata-se de uma metáfora sobre identidade, presença e pertencimento: É nesse equilíbrio que a pintura se ancora, convidando o espectador a também se colocar diante do horizonte e ouvir o chamado da própria alma.

Texto autoral da artista

Vista da instalação - Peça única, criada sobre encomenda para coleção particular.